As ações parecem como pequenos passos em torno de algo que nunca sei o que é, pelo menos não realmente, ele se transforma em coisas distintas. Mutável. Como eu, acho. Muitas, para não dizer inúmeras, tentativas de executar planos, de ser, possuir, amar, persistir, mudar, foram colocadas em prática ou não ao longo do tempo, e ainda assim, com todas as grandes e as pequenas vitórias e especialmente os imensos fracassos, e pior que eles, os fiascos fantasiados de pequenas derrotas fazem com que eu me sinta no mesmo lugar. É como se todas as minhas tentativas romanticas iniciassem e cessassem no mesmo beijo sob a chuva a 10 anos atrás. E como se todas as minhas tentativas profissionais estivessem estagnadas na cadeira da faculdade que já deixei a algum tempo, ou atrás de uma mesa atendendo telefonemas, me sentindo mal paga e sem objetivos. Passando tempo. É como se eu sempre estivesse passando tempo, passando pelo tempo, pelos dias da minha vida sem me movimentar. Intacta.
Eu tenho 23 anos.
Eu tenho 13 anos.
Eu tenho 3.
A ausência nunca se limitou aos meus objetivos. A ausência está tudo, e em mim. É um texto até então, mergulhado tão profundamente na inatividade que me define e em minha autopiedade que não sei se devo parar aqui, neste ponto.
Não.
Eu não tenho muito, e honestamente, não sei de quantas razões são feitas uma carta de suicídio ou um livro de autoajuda, mas de alguma forma ainda estou aqui. Tentando. As ideias flutuam e não sei se consigo colocar todas em ordem em algum lugar, talvez eu não precise. Meu beijo sob a chuva ficou no passado, guardado. Assim como ficaram muitos outros depois dele. E algumas vezes posso contemplar minhas tentativas romanticas se transformando em atos. Pequenos atos, pequenas mudanças em mim. Minhas vitórias, derrotas e fiascos se acumulam e com eles a lista das coisas que quero e não quero fazer. As pessoas que não quero ver. As viajens que pretendo fazer. Os sonhos.
O centro mutável dos meus passos me acompanha para fora de um círculo dessa vez, finalmente.

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