Isso é só um texto.

(ou não)

[tela escura, título]

Nos contos de fadas tudo parece muito simples.

Garoto conhece garota (ou nos contos mais modernos, talvez garoto conhece garoto, e garota conhece garota…) e as coisas se desenvolvem desse ponto inicial.

Primeiro Round

Estava na casa de uma amiga, que conheci no shopping, na verdade ela era, amiga da minha prima, e por uma coincidência, ou que quer que seja, fiquei com um cara que ela gostava, nada demais. Nos tornamos amigas. Voltando, estava num dia particularmente agradável, jeans, blusa preta, delineador, e com aquele humor agradável que realmente faz com que eu queira conversar e fazer com que as pessoas me achem engraçada (não que eu seja, normalmente). Ele era, então, o melhor amigo dela, namorava (merda, certo?) na verdade não, tinha acabado de terminar, então, resolvemos todos sair, um bar perto da minha casa (absolutamente desagradável, não fosse pela companhia e as risadas dos nomes dos sanduíches, ele me fazia rir).

Táxi.

Chuva.

A caminhada entre a esquina e a porta da casa dela, parecia longa com a distância entre eu e ele. Beijo, chuva, pernas tremendo (as dele). Fase um.

Pouco depois, rotulamos de namoro o que estava acontecendo, fiz planos, fizemos planos. terminamos, voltamos, horas incontáveis no telefone, Anas. Terminamos. Casa dele, quarto apertado, cama. Possivelmente o melhor beijo da minha vida, não o beijo, mas a sensação que causou, recíproca. Voltamos -ele não era o homem da minha vida, mas… bem, não era-.

Poderia descrever seus claríssimos olhos claros, seu enorme cabelo escuro, seu sorriso bonito, seu gosto musical, suas roupas estranhas, e a voz dele que foi se alterando de maneira estranha, e que agora ele é uma pessoa completamente diferente.

Fato, e nem é nada novo, terminamos. Dezembro de 2004.

Uns e outros nesse espaço de tempo.

Segundo Round

(Aliás, entre o primeiro e o segundo começa o terceiro, então descrevo o meio pra terminar no fim.)

Primeiro Round e meio pelo Terceiro.

Festa de aniversário na casa vazia da minha, bem ela ainda não era muita coisa, mas foi experiência. Então, festa na casa vazia, levei cds, nunca tive muitos cds, na verdade a maioria dos que “tinha” eram os do meu pai, Depois de ouvir incansavelmente The Cure, resolvi a contra gosto, colocar Blitz, me diverte. Ele veio conversar, segundo ele, houve um momento em que nos espremíamos na banheira pequena, não, não estávamos sozinhos, era uma festa surpresa (não sei porque se esconder no banheiro, bem, nunca pensei a respeito), conversamos, um pouco, e um tempo depois da festa, mais, e aos poucos cada vez mais.

Telefone.

Nos falávamos bastante, e pensei talvez esse seja o primeiro cara realmente bacana que eu fico só, sendo amiga. (ou não).

Ponto, violão, sorvete, minha casa.

Tarde toda, fazendo nada e falando bobagem. Ele me diverte, tanto.

Um dia,  muito tempo depois, ele mandou uma música, me confundiu. Eu não deveria me interessar tanto por ele, por você, seis meses depois, foi tarde demais. Ficamos sem nos falar.

Segundo Round (for real)

Na mesma boate de sempre, eu queria algo diferente, não diferente do que já havia vivido, diferente do que estava vivendo, meu amigo arquitetou esse encontro (quase às cegas), nos encontramos. Cinema, filme ruim, boate no fim de semana, beijo.

Ela era absolutamente diferente de mim, levemente rude, nada interessada nas minhas culturas. Mas ela tinha alguma coisa.

Sim, ela.

Nos encontramos algumas vezes, e acabamos passando todo o mês de julho na minha casa, treinando. (O que? Treinando). Ela me divertia, era bastante engraçada, eu não precisava me preocupar muito com nada. Simples. Depois da minha mãe, e aos poucos a família dela. As tardes na casa dela eram simples, a vida era rede e almoço gostoso, os filmes, as mãos dadas, o carinho e a amizade.

Com o tempo, o ciúmes, a falta de confiança. Terminamos.

Voltamos.

Brigas destrutivas no meu apartamento, batendo portas, gritando.

Correndo na rua, chorando. O mundo parecia um inferno, parecia desabar. Desabava, e nós caíamos depressa.

Terminamos.

Não voltamos, mas nos vemos, nos ferimos, e nos beijamos.

Não voltamos ao certo ou voltamos?! Nunca soube, a questão era que naquele ponto, era tentativa por persistência (por mim) já não havia mais nada. Amor? Não sei.

Ele ligou, eu disse não.

Liguei pra ela, e disse que estava insustentável e que era impossível recriar algo que já havia sido destruído a muito tempo, ela chora eu choro. Fim.

[pausa pra uma cena com essa árvore sem folhas, só galhos secos, fundo cinza. Música triste]

Segundo Round e meio.

Boate e bebidas, todos os dias, pessoas que me divertem, dor, risadas ocas, uma amiga especial, tranquilidade. Aos poucos a dor foi dando lugar a um entorpecimento interno desconhecido. E depois disso, o entorpecimento foi aliviando e fui sentindo de novo, com menos boates e menos bebidas.

Encontrei-me com ele (você). É sempre bom te ver.

Terceiro Round ou quase lá.

Eu lembro da primeira vez que nos beijamos, poderia ter sido bem mais cinematográfico, mas não foi, estava chovendo (pouco) ou isso é a minha memória pregando peças? Confesso, fiquei absolutamente extasiada com a possibilidade de encontrá-lo. Escolhi a roupa, fui.

Conversei com seu primo enquanto minha amiga tentava usar todo seu mojo em você (nele). Não funcionou. Descendo a escada estreita do bar eu quis te beijar, não soube.

Na sua casa, sexo.

Não, não mesmo, nem próximo disso.

Fui à aula, sem satisfação, por parte do sexo. Te vi, foi o suficiente.

Terceiro Round (for real²)

Combinamos, nos encontramos, algumas vezes, na mesma boate de sempre. Dançar com você, te beijar, tudo soava meio estranho. Passei a tarde com você e a noite não. Deve ter doído. Você resolveu que não queria mais.

OK.

Na verdade não.

Não mesmo.

Com coragem (e cara de pau), resolvi que as coisas poderiam ser diferentes do que haviam sido, não iria doer tanto tentar (ou iria?).

Liguei, e propus.

Ele aceitou. Você quis.

Não sei se quero namorar, não quero, mas dou o benefício da dúvida e não uma resposta concreta.

Tentativas frustradas de sexo.

Não, sem namorar, não.

Você me mata.

(O melhor).

[segunda pausa para cena da árvore, ainda sem flores, porém com algumas poucas folhas, num cenário quase em cores]

Bem, boliche, seus amigos, na verdade seu amigo e a namorada, presente estranho de dia dos namorados (não namorávamos). Chocolate gostoso.

Bar, muita cerveja, caipirinha, minha casa.

Sexo.

(sem compromisso)

Estranho, depois de três anos, tudo parecia estranhamente familiar, mas nada que eu pudesse conectar a alguma lembrança ou sensação.

Junho, 29.

Sua casa. Febre, cuidado. Pedido.

Sim.

Eu disse sim. Namoro.

Começou sendo muito estranho depois de tantos anos, deixar de ser sua amiga do telefone pra ser namorada. Honestidade? Ainda é, um pouco. Delimitei, uma linha em minha mente, que dividiria o que já começou tão diferente de tudo pra continuar assim, seguindo bem.

Escrevi um cartão, porque passei a noite (enquanto ele dormia -você-) pensando em como dizer que amava você. Bem, eu disse, você dormia. Então, como disse escrevi um cartão. Sem efeitos. Ignorei.

Não era hora, não era verdade, naquele ponto.

Dizer eu te amo, não precisava ser tão dolorosamente sufocante.

Na minha casa, na minha cama.

Eu te amo. Eu te amo também, e agora é frequente.

Logo ele, logo você.

[pausa final, cena com a árvore florida, sol brilhante, cores].

A vida acontece, não sei exatamente quantos amores precisei experimentar, para esse, e muito menos se esse é só o que preciso, mas, definitivamente, se é ou não, não importa, mas é o que chegou mais próximo de ser. Só ser.

Você se agarra em mim, e na leveza que te faço sentir. Eu me agarro em você.

we were going to be big, big stars, you know?

Eu nunca soube o que era felicidade.

Minha infância foi silêncio, todas as conexões que fiz com o mundo, foram entre eu e o resto -e nada de pessoas e sentimentos-, conhecí apenas as sensações, alimentei meu interior do que o exterior me provocava e podia ficar horas a observar algo que me tocasse.

O mundo me tocava sem tocar.

No meu universo não havia afeto, apenas o meu em direção as pessoas e o que se tornavam pessoas pra mim. Não haviam, amigos, eram conversas comigo mesma, os livros, os filmes, os desenhos e posteriormente e não tão tarde, as palavras -escritas-.

O mundo abusava da minha inocência, do meu carinho, das minhas carências. Ele pedia coisas que não conhecia, que só pude compreender tarde demais. Confesso que não me lembro tanto, nem de pequena nem de um pouco depois, aprendi também -sozinha- a selecionar memórias. As memórias são como recortes de papel, que com a iluminação certa e uma canção favorável, parecem melhores, -mais fáceis de absorver- quando são fisgadas numa caixa de guardados.

Eu nunca soube o que era sentir, senti tanta dor, dor que não cabia no meu corpo extenso, na minha cama pequena, nas portas dos meus armários. Gritei paciência, pedi presença, quis. Não foi possível, ainda não o é, em certas ocasiões com pessoas específicas.

O mundo me esfolava sem que eu caísse.

Então o mundo que jogava na minha cara todas as coisas, que comprimia meu peito, trouxe sua paz. Dentro dessa rebeldia enorme, suas revoluções internas, suas grandiosas metas, você me dá paz.

Eu nunca soube o que era paz. -até poder estar perto de você o bastante pra me sentir satisfeita, não inteira, não repleta, não completa, além disso, muito mais, satisfeita, não conformada, mas (de novo) satisfeita, há paz dentro de mim, onde antes possivelmente só existisse desespero. PAZ.-

Quando olho pra você, eu respiro.

Não que não precise de mais nada, comer e olhar você, me bastam. O mundo fica melhor, minhas insatisfações ficam menores, quando você está, e onde está.

Eu sei, então, o que é felicidade. (finalmente, e de verdade)

Acho que isso tudo é uma grande ilusão. (de ótica? de ética? de tempo?). E todas as ideias em que nos baseamos e as construções que aos poucos erguemos, primeiro na mente, pra ser depois no peito e depois nas mãos,  são apenas etapas pra se cortar até o fim.

Nascer-crescer e morrer.

E se pudesse só nascer e viver sem intervalos de tempos, sem ilusões de momentos e -sentimentos-, como uma flor, um pássaro, ou algo absolutamente inconsciente da morte.  E se ela fosse também, só ilusão -barreira-, e qual é a melhor barreira pra se erguer? Uma dessas em doses homeopáticas, colossais, ou como um grande ponto… Eu não quero ser consumida como um rolo de imagens numa dessas explicações químicas -filmes, meus favoritos- e nem ser pó, feito papel esquecido no tempo -iludido de cartas-.

Quero ser simples.

Não quero me despedir, não quero abrir os olhos pra ver, não quero flores em arcos, não quero fogo, não quero terra e nem abater coragem, nem ser flechada de covardia. -não quero o fim das coisas todas-.

Que a vida seja só pontos de partida, só vôos para alçar, velas ao vento, flutuar no mar. Que as expectativas não se exterminem com a ausência, que a falta não alimente minha dor de comprimidos, cordas e terapias. Que minha dor anseie só produzir tudo que ficará quando eu perecer.

Inconsequentemente
ele foi embora, me deixou a ver navios no meu leito de descaso.

E esses seus óculos, são uma graça.

não há no acaso do passado coincidência.
e nem porque houve, há de ser reincidente.

reside nesse sentimento aos pedaços
auto piedade e fracasso.

resta, ao que não fui, ser quando possível melhor do que me tornei.
tormenta.
ausência é uma dor que não cabe no vazio.
e no meu leito, só sua amargura sem consolo.

saudade.
saudade é mesmo um sentimento desmembrado
falta parte
falta pedaço
falta espaço entre dois corpos.

a última vez que te ví
voltei o rosto pro outro lado pra não ter que olhar você.
é coisa essa estranhanheza que fica em mim, eu sei não porque.

seus olhos enormes e escuros quase náufragos
duas lágrimas se formavam discretas.
é isso que causo em você.
então, que na partilha dos seus lençois, eu nunca faça parte, que eu nunca seja o adversário, que seu cartão fique pra sempre esquecido na gaveta debaixo da cama, que queimem-se por descaso as minhas palavras e que só possa assistir ao seu sorriso de longe.

sempre admirei você
assim desancorada, eu, propriamente descarada, desmascarei os seus sentidos.

dentro um ritmo todo sem tempo.
deveria deixar partir o resto que resta em mim até porque já não me pertence mais.

apetece.
padece de querer descontente,
a gente esquece mesmo o que nos faz doente e só revolve ao que traz o bom sentimento.
carece de mais nada.

dentro um ritmo alucinado a cada palavra.

nunca gostei de futebol.